É uma resposta complicada porque depende muito do mágico que você quer ser.
Eu acredito que as mágicas devem nos servir como um terno. Às vezes cismamos em copiar mágicas e/ou apresentações porque gostamos delas, mas elas não combinam com o nosso jeito de ser como mágicos, nossas circunstâncias, etc. Pode ser a melhor apresentação da história, que sobrevive há dois séculos, etc., mas se não for a nossa cara, não vai encaixar nem em três vidas.
Não seremos capazes de tornar nossas algumas mágicas; outras (a minoria) vão nos servir perfeitamente, e a maioria vai exigir que as adaptemos para nos sentirmos confortáveis. Uma mudança em uma contagem, uma alteração na apresentação...
E também não é necessário criar mágicas para que pareçam suas. Fred Kaps é um exemplo de mágico intérprete e, para Ascanio, ele era o maior, nem mais, nem menos.
A propósito, no início é lógico (e bom) copiar (como em todas as artes). Estamos criando a nossa personalidade mágica. Ainda não sabemos o que nos cai bem e o que não, e assim buscamos nossa identidade mágica.
A questão é com o que você se sente confortável. Obviamente, uma apresentação em que você não acredita não vai transmitir a mesma coisa que outra da qual você está completamente convencido.
O Yigal Mesika não cansa de repetir que, para que uma levitação e/ou suspensão seja crível, o mágico precisa acreditar (e, de quebra, se surpreender) que o objeto levite ou consiga se mover sozinho. O mesmo vale para a chave assombrada (que não tem nenhum gimmick, apenas a vontade do mágico), o Blow de Capilla, etc. Coisas surpreendentes acontecem pela vontade do mágico, ele usa seus "poderes", não é incrível?
Então, como você adaptaria uma apresentação partindo dessas premissas? Eu acho que não tem problema nenhum copiar literalmente uma apresentação que funciona, principalmente se tiver piadas ou situações mais universais, embora cada um sempre dê o seu toque pessoal. O Pesadelo do Professor ou as wild cards têm poucas opções para mudar de um roteiro descritivo para um ficcional.
Mas, enfim, como já defendi em outro artigo, nada está escrito em pedra (e muito menos na magia) e você pode recorrer a muitos recursos literários além dos típicos descritivos, representativos ou ficcionais: storytelling, metáforas, símiles, fábulas, anedotas, história, etc. A questão é testar, variar, não entediar e se divertir.
Se quiser mais informações sobre narrativa, recomendo que leia: Morfologia do Conto de Vladimir Propp e A Jornada do Herói de Joseph Campbell.
Mais especificamente, sobre a estrutura do roteiro literário na magia, Scripting Magic de Pete McCabe ou El discurso con método de Armando de Miguel.
Olá a todos e muito obrigado pelas mensagens. Na verdade, eu joguei esse assunto na roda porque acho que é um tema que tem várias interpretações, e eu adoro trocar ideias. Se me perguntarem, eu diria que, no começo, a gente não tem outra opção a não ser copiar a mágica, a apresentação, etc., para depois, com a experiência e o tempo de estrada, ir adaptando ao nosso próprio estilo, e então ir colocando a assinatura de cada um, ou dar outro final.
Eu fui DJ por muitos anos e sempre comentei: um bom DJ, aconteça o que acontecer, tem que manter a pista cheia, e não dá para fazer o público dançar e se divertir se a gente mesmo não estiver curtindo.
Acredito que a apresentação é o que define o mágico e o diferencia dos demais. Claro que é inevitável usar algum gag, piada ou até mesmo um recurso narrativo completo em alguma rotina porque aquilo nos impactou e se aproxima bastante da nossa forma de entender a mágica e o nosso "personagem", mas copiar uma apresentação inteira é desvirtuar o nosso papel, principalmente porque você corre o risco de alguém já ter visto esse mesmo show, idêntico, em outro lugar, e se sentir decepcionado. A mesma mágica, com a rotina perfeitamente igual, se você mudar a apresentação, pode parecer um efeito totalmente diferente; assim como uma mágica diferente, se apresentada da mesma forma que outra, pode parecer repetida... Talvez eu dê importância demais à narrativa, já que venho do mundo da contação de histórias e da tradição oral, mas acredito que a essência de todo espetáculo tem uma grande porcentagem de sucesso graças a como o contamos, ao quão original se pode ser e a como adaptamos tudo isso ao nosso personagem.
Aqui no México temos uma expressão que diz “conforme o sapo, a pedrada”
Se você é um mágico profissional, e cobra para fazer mágica, está obrigado a criar novas apresentações, não pode copiar, pois deve parecer original. Até mesmo os efeitos você deve mudar um pouco, quanto mais a apresentação.
Mas se você é um mágico amador, que só mostra mágicas para familiares e amigos, vale muito a pena usar as apresentações clássicas.
É uma resposta complicada porque depende muito do mágico que você quer ser.
Eu acredito que as mágicas devem nos servir como um terno. Às vezes cismamos em copiar mágicas e/ou apresentações porque gostamos delas, mas elas não combinam com o nosso jeito de ser como mágicos, nossas circunstâncias, etc. Pode ser a melhor apresentação da história, que sobrevive há dois séculos, etc., mas se não for a nossa cara, não vai encaixar nem em três vidas.
Não seremos capazes de tornar nossas algumas mágicas; outras (a minoria) vão nos servir perfeitamente, e a maioria vai exigir que as adaptemos para nos sentirmos confortáveis. Uma mudança em uma contagem, uma alteração na apresentação...
E também não é necessário criar mágicas para que pareçam suas. Fred Kaps é um exemplo de mágico intérprete e, para Ascanio, ele era o maior, nem mais, nem menos.
A propósito, no início é lógico (e bom) copiar (como em todas as artes). Estamos criando a nossa personalidade mágica. Ainda não sabemos o que nos cai bem e o que não, e assim buscamos nossa identidade mágica.
A questão é com o que você se sente confortável. Obviamente, uma apresentação em que você não acredita não vai transmitir a mesma coisa que outra da qual você está completamente convencido.
O Yigal Mesika não cansa de repetir que, para que uma levitação e/ou suspensão seja crível, o mágico precisa acreditar (e, de quebra, se surpreender) que o objeto levite ou consiga se mover sozinho. O mesmo vale para a chave assombrada (que não tem nenhum gimmick, apenas a vontade do mágico), o Blow de Capilla, etc. Coisas surpreendentes acontecem pela vontade do mágico, ele usa seus "poderes", não é incrível?
Então, como você adaptaria uma apresentação partindo dessas premissas? Eu acho que não tem problema nenhum copiar literalmente uma apresentação que funciona, principalmente se tiver piadas ou situações mais universais, embora cada um sempre dê o seu toque pessoal. O Pesadelo do Professor ou as wild cards têm poucas opções para mudar de um roteiro descritivo para um ficcional.
Mas, enfim, como já defendi em outro artigo, nada está escrito em pedra (e muito menos na magia) e você pode recorrer a muitos recursos literários além dos típicos descritivos, representativos ou ficcionais: storytelling, metáforas, símiles, fábulas, anedotas, história, etc. A questão é testar, variar, não entediar e se divertir.
Se quiser mais informações sobre narrativa, recomendo que leia: Morfologia do Conto de Vladimir Propp e A Jornada do Herói de Joseph Campbell.
Mais especificamente, sobre a estrutura do roteiro literário na magia, Scripting Magic de Pete McCabe ou El discurso con método de Armando de Miguel.
Espero ter ajudado, um abraço.
Olá a todos e muito obrigado pelas mensagens. Na verdade, eu joguei esse assunto na roda porque acho que é um tema que tem várias interpretações, e eu adoro trocar ideias. Se me perguntarem, eu diria que, no começo, a gente não tem outra opção a não ser copiar a mágica, a apresentação, etc., para depois, com a experiência e o tempo de estrada, ir adaptando ao nosso próprio estilo, e então ir colocando a assinatura de cada um, ou dar outro final.
Eu fui DJ por muitos anos e sempre comentei: um bom DJ, aconteça o que acontecer, tem que manter a pista cheia, e não dá para fazer o público dançar e se divertir se a gente mesmo não estiver curtindo.
Um abraço a todos do Uruguai
Acredito que a apresentação é o que define o mágico e o diferencia dos demais. Claro que é inevitável usar algum gag, piada ou até mesmo um recurso narrativo completo em alguma rotina porque aquilo nos impactou e se aproxima bastante da nossa forma de entender a mágica e o nosso "personagem", mas copiar uma apresentação inteira é desvirtuar o nosso papel, principalmente porque você corre o risco de alguém já ter visto esse mesmo show, idêntico, em outro lugar, e se sentir decepcionado. A mesma mágica, com a rotina perfeitamente igual, se você mudar a apresentação, pode parecer um efeito totalmente diferente; assim como uma mágica diferente, se apresentada da mesma forma que outra, pode parecer repetida... Talvez eu dê importância demais à narrativa, já que venho do mundo da contação de histórias e da tradição oral, mas acredito que a essência de todo espetáculo tem uma grande porcentagem de sucesso graças a como o contamos, ao quão original se pode ser e a como adaptamos tudo isso ao nosso personagem.
Saudações a todos.
Aqui no México temos uma expressão que diz “conforme o sapo, a pedrada”
Se você é um mágico profissional, e cobra para fazer mágica, está obrigado a criar novas apresentações, não pode copiar, pois deve parecer original. Até mesmo os efeitos você deve mudar um pouco, quanto mais a apresentação.
Mas se você é um mágico amador, que só mostra mágicas para familiares e amigos, vale muito a pena usar as apresentações clássicas.
Um abraço