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Carta preta na cartomagia: coberturas, construção e rotinas

LLuisAvançado2h 4m1

A carta preta é o eixo desta conferência de Luis Olmedo sobre arte negra aplicada à cartomagia. Através de três rotinas, ele explica como integrar este recurso em uma sequência compreensível, cuidar das condições de visão e evitar que uma aparição ou desparafuso permita reconstruir facilmente o procedimento. Combina explicação de material, técnica, revisões das sequências e análise do que o espectador percebe. O objetivo é entender as possibilidades da ferramenta e as decisões que cada situação de atuação exige.

Preparação do material

O primeiro bloco estuda a fabricação de cartas com uma face ou um dorso preto, conforme a aplicação. Olmedo compara tecidos, veludos e opções adesivas, e explica como a espessura, a textura, os resíduos de cola e o acabamento das bordas influenciam. Também mostra os problemas que a tinta muito úmida ou as pequenas áreas claras que ficam após o corte podem causar. A preparação faz parte do ensino: não se pressupõe dispor de um jogo comercial específico.

Para praticar este bloco, utilizam-se cartas que possam ser modificadas, tecido preto fino, cola em spray quando o tecido não for adesivo, marcador permanente preto e tesoura ou estilete. O professor menciona o veludo adesivo como alternativa. É necessária uma superfície protegida para cortar e um tapete preto adequado para as aplicações de mesa. Estuda-se a relação entre o tecido e o tapete, sem apresentar uma coincidência de cor como garantia suficiente para atuar em qualquer ambiente.

Público direto e magia projetada

A conferência diferencia duas condições de trabalho. Quando o público olha diretamente para a mesa, Olmedo defende o uso de coberturas físicas e uma construção que mantenha o recurso protegido. Analisa objetos, mãos e sombras como elementos dessa cobertura, assim como a incerteza de trabalhar sob uma iluminação que nem sempre o artista controla.

Quando os espectadores observam a atuação através de uma tela, o enquadre, a luz e a câmera permitem outras decisões. Examina-se o que muda quando todo o público compartilha um único ponto de vista e o que acontece em uma situação mista, com pessoas que também podem olhar diretamente para a mesa. O professor insiste em ensaiar as condições reais e verificar a imagem que o público recebe. A possibilidade técnica de ocultar um objeto não substitui o trabalho de construção do efeito.

A carta no copo

A primeira rotina parte de uma carta escolhida e de sua aparição em um copo. Explica-se a preparação, um forzaje por drible, o manejo do lenço e do copo e a coordenação dos movimentos que produzem a revelação. A análise inclui a posição em relação ao corpo, o figurino escuro, a inclinação do recipiente e o momento de afastá-lo para reforçar a impressão final. Olmedo a situa especialmente em condições de salão, onde pode controlar melhor a visão do público.

Os materiais são um baralho, a carta preparada correspondente e seu equivalente normal, um copo de cristal e um lenço suficientemente grande. O professor prefere seda por seu caimento e transparência parcial. A distância e os ângulos são condições concretas desta rotina: o efeito não é apresentado como adequado para qualquer distribuição de espectadores ao redor do artista.

Também desenvolve um bis com duas cartas escolhidas, uma segunda revelação com condições visuais distintas e opções para retirar o material preparado. Comenta uma variante trazida por Sergio Cisneros e a evolução da apresentação a partir de uma conversa com Miguel Ajo. Esses exemplos servem para estudar como a segunda fase pode reforçar a lembrança da primeira e como sugerir uma condição de vazio por meio de ações naturais, sem insistir verbalmente em demonstrá-la.

Open Travelers e a variedade das fases

A segunda rotina é uma versão de Open Travelers com quatro damas que viajam sucessivamente para outro ponto do tapete. Após a demonstração, as técnicas são detalhadas e a sequência completa é revisada. A explicação abrange carga do regazo, empalmes, culebreo, manejo de uma carta dupla, acréscimos, falsas ações de tomada e coordenação entre as mãos. Algumas combinações exigem ensaio específico; o professor detém-se em apoios, pressão, ritmo e continuidade para facilitar seu estudo.

Aqui a carta preta participa de várias maneiras dentro de um mesmo passe. A análise distingue sua função em aparições, desaparecimentos, imagens intermediárias e manejo de uma carta adicional. Para praticar, são necessárias quatro cartas do mesmo valor — as damas na apresentação —, uma carta com a face preta e o dorso visível, tapete preto e uma disposição sentada que permita utilizar o regazo na sequência explicada.

A rotina sustenta além disso um estudo dos jogos multifases. Olmedo propõe variar tanto o método quanto a experiência visível: surpresa, espera, viagem e desaparecimento não precisam parecer iguais, mesmo pertencendo ao mesmo efeito. Examina a distância do percurso, as pausas, o olhar, os gestos e a orientação do corpo. Dedica especial atenção ao último desaparecimento, ao enquadre mental do espectador e à separação entre a ação que provoca a mudança e o momento em que esta é percebida.

Reunião de ases para câmera e tela

O terceiro bloco explica uma reunião de ases desenhada para magia projetada, apresentada pelo professor como uma rotina musical. Sua preparação inclui um baralho, ases normais e cartas preparadas, entre elas três cartas de face preta e uma peça formada por três cartas unidas. Comentam-se duplicados opcionais e a disposição prévia do material. A fabricação apoia-se nos critérios de acabamento já desenvolvidos na conferência.

A explicação cobre cortes falsos, manejo de separações, contagens, mudanças de grupos e várias opções para os desaparecimentos. A revisão em continuidade relaciona essas técnicas com a sensação de ter visto as faces e os dorsos das cartas. Também analisa como simplificar o trabalho posterior por meio de ajustes feitos em momentos de menor tensão.

Esta versão exige que o público observe a tela e que o artista controle o ângulo, a iluminação e a câmera. Olmedo explica por que utiliza um plano elevado e como determinados giros podem mostrar bordas que convém manter fora da visão. Estuda ainda a composição do tapete, a retirada de objetos que geram ruído visual e a imagem final que permite reconhecer a viagem dos ases. A rotina não é oferecida como uma versão para espectadores olhando diretamente para a mesa de perto.

Preparação prévia e alcance

Coném ter fluidez básica com cartas, separações, cartas duplas e coordenação de ambas as mãos. As técnicas aplicadas são explicadas e revisadas, mas Open Travelers exige trabalhar empalmes, simultaneidade e controle da atenção com mais profundidade do que a rotina do copo. Não é necessário executar todas as combinações para estudar os critérios de cobertura e construção.

A conferência ensina três aplicações concretas e critérios para experimentar com ideias próprias. As menções a moedas, outros recursos, autores e redes sociais servem de comparação ou referência; não constituem explicações adicionais desses repertórios nem materiais anexos. A prática deve adequar-se a cada rotina, desde o figurino e os ângulos do copo até a preparação de mesa e os testes de câmera da reunião de ases.